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Saúde Federal  

Ato no HFB acusa Temer de tentar inviabilizar o SUS

16/04/2018

Sidney Castro defende caravana a Brasília e assembleia geral da saúde federal. "Governo Temer age de forma criminosa, atacando o SUS e prejudicando a população", acusou.
Foto: Mayara Alves

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por Olyntho Contente

Visando acabar com o Sistema Único de Saúde (SUS) público e gratuito e entregá-lo aos planos médicos e hospitais privados, o governo Temer vem ampliando o corte de verbas do setor, aumentando o déficit de pessoal e impedindo a compra dos mais diversos materiais, desta forma, inviabilizando o atendimento à população. A denúncia foi feita durante protesto, nesta segunda-fera (16/4), pela manhã, em frente à Emergência recém-inaugurada do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) por parlamentares, representantes das centrais sindicais CSP-Conlutas e CTB, sindicatos, como o Sindsprev/RJ, dos Médicos, dos Enfermeiros além de conselhos profissionais, como Conselho Regional de Medicina (CRM) e Conselho de Enfermagem (Coren).

A Emergência do HFB foi o local escolhido por viver hoje uma situação que se aproxima do caos. O prédio é novo, mas não conta com o pessoal necessário para o atendimento porque o Ministério da Saúde não abriu concurso, nem novo certame para contratações temporárias. “Quem sofre com isto, além dos profissionais de saúde que têm que se desdobrar, são os próprios pacientes que não são atendidos como deveriam em função do grande déficit de pessoal”, denunciou o diretor do Sindsprev/RJ, Sidney Castro.

“Faltam 57 médicos só na Emergência. Em consequência, pacientes estão nos corredores. O setor está todo aparelhado, mas faltam, além de médicos, profissionais de enfermagem e administrativos”, relatou inconformado o presidente do Cremerj, Nelson Nahon. A falta de médicos na Oncologia não tem permitido o atendimento a vários casos, tendo as pessoas que se dirigir a clínicas da família para marcar exames para dali a três, seis meses, o que acarreta o crescimento do tumor e muitas das vezes a morte.

Sidney Castro apontou o governo Temer como responsável por esta situação inaceitável. “O Ministério da Saúde não abre concurso público nem novas contratações temporárias e faz o mesmo para toda a rede federal do Rio de Janeiro. O resultado é que, nos demais hospitais federais a situação é semelhante. O SUS é viável, o que falta é financiamento”, lembrou.

Assembleia geral e caravana a Brasília

O dirigente lembrou que o governo age desta forma criminosa para em seguida jogar a culpa nos profissionais, como se o mau funcionamento fosse responsabilidade deles. “Por isto a importância de fazermos atos como este para denunciar todos estes fatos à população e cobrar uma solução imediata do governo. Mas isto não é suficiente. Proponho a convocação de uma assembleia geral da saúde federal e a organização de uma grande caravana a Brasília para pressionarmos lá na capital federal o Ministério da Saúde e o governo”, defendeu Sidney. Defendeu também a eleição dos diretores dos hospitais de forma a democratizar a relação dos servidores para um melhor funcionamento das unidades.

Lúcia Pádua, da Frente em Defesa dos Hospitais e Institutos Federais, afirmou que não se pode confiar no que afirma o governo. “O ministro da saúde disse, recentemente, ter aberto 3.520 novas contratações temporárias para a rede federal do Rio de Janeiro. Descobrimos que estava mentindo, e que são apenas 140 novos contratos e os demais são manutenção dos já existentes, permanecendo o imenso déficit de pessoal. O objetivo ampliar a situação caótica dos hospitais para beneficiar os planos de saúde e acabar com o SUS. Este é a verdadeira meta do governo Temer”, afirmou.

Corrupção e ‘elefante branco’

A presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Mônica Armada, lamentou que depois de tantos anos de luta dos profissionais de saúde, o HFB tenha finalmente concluído as obras da Emergência, sendo que o setor não presta o atendimento esperado pela população por uma ação criminosa do governo Temer. “Tudo pronto e não abriram concurso transformando a Emergência nova em um grande elefante branco, esta que é uma tábua de salvação da população. E fizeram isso porque este governo golpista está se lixando para o povo, ocupado que está em se defender das acusações de esconder malas de dinheiro da corrupção”, afirmou.

Fim do SUS

A deputada enfermeira Rejane (PCdoB-RJ), defendeu a convocação do Conselho Nacional de Saúde para verificar a situação de abandono que o Ministério da Saúde impõe à rede federal. “Temer faz o jogo dos planos de saúde e hospitais privados que querem o fim do SUS. E é uma política nacional deste setor que fez recentemente um congresso nacional de planos de saúde que discutiu como acabar com o Sistema Único de Saúde”, denunciou.

Tatiana Alves, servidora administrativa do HFB, confirmou ser muito grave a situação da unidade devido ao déficit de pessoal e que só não fechou pelo empenho dos profissionais. “Precisamos de concurso, mas neste momento temos que lutar pela manutenção dos atuais contratados e por novas contratações. Sem isto, o HFB fecha”, afirmou. A diretora da regional Norte do Sindsprev/RJ, Maria Celina, disse que o governo é obrigado a chamar novo concurso porque o MS publicou edital neste sentido, em 16 de dezembro de 2016, antes da aprovação da PEC que congelou os gastos públicos por 20 anos, depois voltou atrás, e cancelou. “Mas a verba consta do Orçamento da União daquele ano, o que o obriga a realizar o concurso”, disse.

Para a diretora da CSP-Conlutas, Cintia Teixeira, este é o ataque mais feroz de um governo contra o SUS. “Nosso inimigo ataca os direitos da população, entre eles o direito à saúde pública e gratuita para beneficiar os grupos privados. E isto ficou muito explícito na gestão Ricardo Barros, quando ele veio várias vezes do Rio de Janeiro negociar o SUS com representantes de hospitais particulares e planos de saúde”, lembrou.

O médico Baltazar Fernandes, chefe do Corpo Clínico do HFB, adiantou que também faltam materiais dos mais diversos e manutenção de equipamentos, o que contribui para piorar a situação. “Mas na Emergência é mais grave, já que aqui é um hospital de alta complexidade. Só estão sendo atendidos casos gravíssimos. Somos obrigados a mandar de volta sem atendimento, muitos pacientes. Nosso sofrimento é muito grande, mas não temos como atender a todos”, disse. O profissional acrescentou que trabalha ali há 40 anos e jamais viu um quadro como o de agora. 






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