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Geral  

Servidores federais anistiados convocam mobilização para enfrentar ameaça ao emprego

09/09/2016

Da Redação do Sindsprev-RJ
Por Hélcio Duarte Filho

Servidores federais anistiados das demissões promovidas na década de 1990 pelo então presidente Fernando Collor se reuniram na sede do Sindsprev-RJ, na quinta-feira (8), e decidiram retomar a mobilização do setor para defender o emprego e direitos conquistados numa luta iniciada há cerca de 25 anos.
 
Essa movimentação deve-se à recente portaria publicada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão que tenta reenquadrar no regime celetista servidores hoje estatutários beneficiados na anistia. Os trabalhadores avaliaram que os objetivos do governo de Michel Temer (PMDB) ao rever o enquadramento no regime de trabalho são retirar direitos e demitir.

A reunião deve marcar a retomada da mobilização desses servidores, que na base da categoria representada pelo Sindsprev-RJ integram principalmente os quadros do Ministério da Saúde (a maioria ex-Funasa) e do INSS. Ao todo, em todo o país e nos diversos segmentos do setor público federal, existem cerca de 60 mil trabalhadores que foram demitidos pelo governo Collor no início da década de 1990 e que foram beneficiados pela Lei da Anistia (Lei nº 8.878), conquistada em 1994.

Cerca de 50 servidores compareceram à atividade convocada pelo sindicato. Novo encontro já foi agendado para o dia 20 de setembro, a partir das 14 horas, na sede do Sindsprev-RJ, na rua Joaquim Silva 98, na Lapa. O Sintrasef, outro sindicato que possui entre os seus filiados servidores anistiados, será convidado a participar. A ideia é unir forças para enfrentar essa ameaça por parte do governo. 

Ida a Brasília

Reiterados alertas para a necessidade de todos os anistiados se integrarem às mobilizações que se iniciam agora foram feitos durante a reunião. A Comissão dos Anistiados do Sindsprev-RJ ganhará reforço com mais servidores e deve retomar o seu funcionamento regular e intensificado.

Já na semana de 12 a 16 de setembro, representantes do setor vão a Brasília para atuar em torno da questão. Uma audiência com o Ministério do Planejamento será solicitada, com o objetivo principal de tentar extrair de fonte oficial qual é a abrangência do entendimento que a pasta tem da portaria.

Outra iniciativa é contatar parlamentares, para solicitar deles apoio à luta pela preservação do emprego e das condições atuais – com o enquadramento no regime estatutário. Também se destacou a necessidade de integrar a luta do setor às mobilizações gerais do funcionalismo e dos trabalhadores. Os anistiados devem participar da jornada de protestos em Brasília prevista para os dias 12, 13 e 14, convocada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais, em defesa de direitos e contra o pacote de projetos e reformar do governo Temer.

Jurídico

Em outra frente de atuação, o departamento Jurídico do Sindsprev-RJ já prepara as medidas judiciais cabíveis caso os servidores sejam notificados do reenquadramento. Na reunião, o coordenador do setor no sindicato, o advogado Roberto Marinho, deu esclarecimentos sobre o caso e informou que os advogados da entidade sindical estão acompanhando a questão. Disse, no entanto, que não há medida judicial para ser movida no momento porque não houve a notificação de servidores do Ministério da Saúde e do INSS.

De acordo com a portaria, essa notificação será feira por meio dos Recursos Humanos ou por telegrama. Caso o servidor não seja encontrado, será publicado o aviso no Diário Oficial da União. Para cada caso, será aberto um processo administrativo, no qual o servidor terá um prazo de 15 dias para se defender.

O advogado do sindicato orientou os servidores a acompanhar a situação junto aos Recursos Humanos, para não correr o risco de o processo transcorrer à sua revelia. Caso os servidores sejam notificados, o sindicato dará assistência na defesa. Marinho também destacou que os casos homologados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) há cinco anos ou mais em tese não poderiam mais ser revistos pelo governo. O TCU homologa todos os atos administrativos do governo federal relacionados a contratações, aposentadorias, posse de servidores etc. Quem quiser verificar quando foi a sua homologação, basta acessar o portal do TCU na internet e fazer uma busca com o seu nome completo nela – caso não consiga localizar nada, procurar em ‘busca avançada’.

O advogado do sindicato, no entanto, fez questão de ressaltar que a avaliação de que há argumentos sólidos para defender na Justiça o atual enquadramento dos servidores no RJU não deve pautar os trabalhadores, mas sim a necessidade de organizar a mobilização. Isto porque há sinais de que o governo está se movimentando nesta área, inclusive no Supremo Tribunal Federal, para buscar amparo legal para a vigência simultânea de regimes estatutário e celetista na União – o que hoje legalmente não é permitido.

A portaria normativa número 5, de 31 de agosto de 2016, é assinada pelo secretário de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho no Serviço Público, Augusto Akira Chiba (veja, ao final do texto, a íntegra da portaria). A decisão tem por base pareceres do TCU e da Advocacia-Geral da União. O departamento Jurídico do Sindsprev-RJ vai preparar uma análise mais detalhada da medida e as implicações legais dela, que será divulgada em breve pelo sindicato.


PORTARIA NORMATIVA Nº 5, DE 31 DE AGOSTO DE 2016 MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, DESENVOLVIMENTO E GESTÃO

SECRETARIA DE GESTÃO DE PESSOAS E RELAÇÕES DO TRABALHO NO SERVIÇO PÚBLICO

DOU de 01/09/2016 (nº 169, Seção 1, pág. 71)

Estabelece procedimentos para a retificação dos atos de conversão indevida do regime jurídico celetista dos beneficiados pela anistia de que trata a Lei nº 8.878, de 11 de maio de 1994, para o regime jurídico estatutário previsto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e dá outras providências.

O SECRETÁRIO DE GESTÃO DE PESSOAS E RELAÇÕES DO TRABALHO NO SERVIÇO PÚBLICO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 25 do Anexo I do Decreto nº 8.818, de 21 de julho de 2016,considerando as determinações contidas no Acórdão nº 303/2015 - TCU - Plenário, de 25 de fevereiro de 2015, e tendo em vista o disposto no Parecer nº 216/2014/CONJURMPS/ CGU/AGU, no Parecer nº 387-3.20.1/2014/TLC/CONJUR/MP, no Parecer nº 893/2016/CONJUR-MP/CGU/AGU, no Parecer nº 78/2014/DECOR/CGU/AGU, e no Parecer AGU JT-01/2007, resolve:

Art. 1º - Estabelecer procedimentos para a retificação dos atos de conversão indevida do regime jurídico celetista dos beneficiados pela anistia de que trata a Lei nº 8.878, de 11 de maio de 1994, para o regime jurídico estatutário previsto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.

Art. 2º - Os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão instaurar processo administrativo, de ofício, para a regularização do vínculo dos servidores ativos e aposentados que tenham sido beneficiados pela anistia reconhecida nos termos da Lei nº 8.878, de 1994.

Parágrafo único - Aplica-se o disposto nesta Portaria Normativa aos beneficiários de pensão cujo instituidor tenha sido indevidamente incluído no regime jurídico estatutário.

Art. 3º - O processo administrativo que vise à retificação do regime jurídico dos servidores, aposentados e beneficiários de pensão observará os princípios do contraditório e da ampla defesa.

§ 1º - Será assegurado ao interessado o direito de acompanhar o processo, pessoalmente ou por intermédio de procurador, ter ciência da tramitação, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos, desde que recolhidas as respectivas custas, ressalvados os dados e documentos de terceiros protegidos por sigilo ou pelo direito à privacidade, à honra e à imagem.

§ 2º - Caberá ao interessado a prova dos fatos que alegar.

§ 3º - Quando o interessado declarar que determinados fatos e dados estão registrados em documentos existentes no próprio órgão ou entidade responsável pelo processo, em outro órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional ou em empresas estatais, o órgão ou entidade competente para a instrução promoverá, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.

§ 4º - Quando o interessado alegar questões de cunho jurídico para justificar a permanência de dados financeiros e cadastrais considerados irregulares, o dirigente de gestão de pessoas poderá, caso exista dúvida pontual de cunho jurídico, submeter o processo administrativo à análise do respectivo órgão de consultoria e assessoramento jurídico.

Art. 4º - A unidade de gestão de pessoas do órgão ou entidade de vinculação do servidor público ativo, aposentado ou beneficiários de pensão deverá notificá-los, nos termos do Anexo, sobre o processo de retificação do regime jurídico estatutário para celetista.

§ 1º - A notificação formal ao servidor público deverá ser feita, preferencialmente, de modo pessoal.

§ 2º - Em caso de impossibilidade de notificação na forma do § 1º, o servidor público poderá ser notificado por via postal, com aviso de recebimento - AR.

§ 3º - A notificação do aposentado e dos beneficiários de pensão será feita por via postal, com aviso de recebimento - AR.

§ 4º - Quando o servidor, aposentado ou beneficiário de pensão não for localizado, a notificação será feita por meio de publicação no Diário Oficial da União - DOU.

Art. 5º - Uma vez notificado, o interessado poderá emitir resposta escrita, no prazo de 15 (quinze) dias, acerca da pretensão administrativa de retificação do regime jurídico.

Parágrafo único - A decisão do dirigente de gestão de pessoas do órgão ou entidade deverá ser proferida em até 5 (cinco) dias e comunicada formalmente ao interessado, por meio de nova notificação.

Art. 6º - Da decisão de que trata o parágrafo único do art. 5º caberá recurso, na forma dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, no prazo de até 10 (dez) dias.

§ 1º - Após a apresentação de recurso, o dirigente de gestão de pessoas poderá reconsiderar sua decisão em até 5 (cinco) dias.

§ 2º - Não havendo reconsideração, a decisão final, em sede de recurso, será proferida pelo Subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração - SPOA, ou autoridade equivalente, do órgão ou entidade, em até 5 (cinco) dias.

§ 3º - Após proferida a decisão final, pelo SPOA, ou unidade equivalente, o processo será remetido à unidade de gestão de pessoas, que promoverá a publicação no Diário Oficial da União, no prazo de até 15 (quinze) dias.

Art. 7º - Publicada a decisão pela retificação do regime jurídico, a unidade de gestão de pessoas do órgão ou entidade de vinculação do servidor, aposentado ou beneficiário de pensão deverá proceder à adequação ao regime previsto na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, com a adoção das seguintes providências:

I - ao proceder a retificação dos atos de conversão indevida de regime jurídico, deverá emitir Certidão de Tempo de Contribuição - CTC, observando o disposto no Capítulo VII da Instrução Normativa INSS/PRES nº 77/2015, relativa ao período de vinculação ao regime estatutário federal.

II - em relação aos reclassificados como empregados públicos:

a) restabelecimento do contrato de trabalho;

b) realização de novo cálculo remuneratório e dos valores devidos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS;

c) realização de ajuste no cálculo dos períodos aquisitivos de férias; e

d) retificação do registro no sistema de gestão de pessoas do Poder Executivo Federal.

III - em relação aos aposentados e pensionistas: aplicam-se as alíneas "a", "b", e "d" do inciso II.

§ 1º - Nos cálculos de que trata a alínea "b" do inciso II, considerar-se-á que:

I - o salário devido ao empregado público anistiado cujo regime jurídico foi convertido indevidamente ao estatutário terá como base o valor do salário percebido pelo empregado no momento em que ocorreu a conversão, observando-se os critérios estabelecidos no Decreto nº 6.657, de 20 de novembro de 2008 e no art. 310 da Lei nº 11.907, de 2 de fevereiro de 2009.

II - o saldo a ser depositado no FGTS, atualizado monetariamente nos termos do Decreto nº 99.684, de 8 de novembro de 1990, abrangerá o período de conversão indevida de regime, tendo como base de cálculo a remuneração a que o empregado faria jus caso não houvesse sido classificado como estatutário, sendo depositado em contas individualizadas após a adoção do procedimento de que trata o art. 11 desta Portaria Normativa.

§ 2º - O ato de retificação de vínculo e subsequente enquadramento do empregado público irregularmente inserido no regime estatutário poderá ocasionar a redução do valor nominal da remuneração anteriormente recebida na condição de estatutário.

Art. 8º - A modificação do entendimento administrativo de que trata esta Portaria Normativa não acarreta a reposição dos valores recebidos de boa-fé decorrentes da errônea interpretação da lei pela Administração, nos termos do Parecer AGU QG - 161, publicado na seção I do DOU de 9 de setembro de 1998.

Art. 9º - Para efeito dos benefícios previstos no Regime Geral de Previdência Social - RGPS é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na administração pública, hipótese em que os diferentes sistemas de previdência social se compensarão financeiramente, nos termos do art. 94 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.

Parágrafo único - As contribuições vertidas para o Regime Próprio de Previdência Social da União - RPPS serão consideradas para todos os efeitos, inclusive para os de carência no RGPS.

Art. 10 - A unidade de gestão de pessoas, no caso de aposentadoria indevidamente registrada pelo Tribunal de Contas da União - TCU, deverá notificar o Tribunal acerca da irregularidade, aguardando eventual cancelamento do ato de registro para prosseguimento do processo.

Parágrafo único - O disposto no caput aplica-se às pensões cujo instituidor tenha sido indevidamente incluído no regime estatutário.

Art. 11 - Efetuados os cálculos e adotados os procedimentos previstos nos arts. 7º a 10, a unidade de gestão de pessoas convocará o interessado para:

I - regularizar as anotações na CTPS e firmar contrato de trabalho, se for o caso; e

II - orientar e cientificar sobre a comunicação ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, no caso do aposentado ou pensionista cujo respectivo ato não tenha sido registrado pelo TCU.

Parágrafo único - A notificação dos aposentados cujo ato não tenha sido registrado no TCU acarreta o imediato retorno à atividade, ressalvado os casos de incapacidade laboral, apurada nos termos da legislação aplicável.

Art. 12 - O Secretário de Gestão de Pessoas e Relações do Trabalho no Serviço Público envidará esforços junto ao INSS para evitar solução de continuidade nos pagamentos dos benefícios previdenciários cabíveis, aos abrangidos por esta Portaria Normativa, e na averbação do tempo de contribuição.

Art. 13 - Aplica-se o disposto no art. 66 da Lei nº 9.784, de 1999, à contagem dos prazos previstos nesta Portaria Normativa.

Parágrafo único - Os prazos previstos no parágrafo único do art. 5º e nos § § 1º, 2º e 3º do art. 6º desta Portaria Normativa podem ser ampliados, mediante comprovada justificação.

Art. 14 - Os processos administrativos de que trata esta Portaria Normativa deverão ser formalizados no prazo máximo de 15 (quinze) dias, contado da data de publicação desta Portaria Normativa, e concluídos em até 180 (cento e oitenta) dias. ser prorrogado por igual período, mediante comprovada justificação.

Art. 15 - Esta Portaria Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

AUGUSTO AKIRA CHIBA






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