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Geral  

Dois PMs do Choque se recusam a reprimir e expressam revolta no Rio

17/11/2016

Ato em frente à Alerj, na quarta-feira (16) - Fernando França

Da Redação do Sindsprev-RJ
Por Hélcio Duarte Filho

A cena, rara, está gravada em imagens registradas pelos repórteres cinematográficos Adelino Matias e Fernando Gonçalves, da equipe do Sindsprev-RJ. A Tropa de Choque da Polícia Militar lança bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo sobre os manifestantes, que lutam contra o ‘pacote’ de medidas do governador Luiz Fernando Pezão que atingem em cheio os serviços públicos e os servidores estaduais. Correria.

Dois policiais do Choque, porém, se deslocam em sentido contrário ao da atuação dos colegas. Dizem algo reservadamente a algumas pessoas que se aproximam deles. Parecem informar que ‘não participariam’ mais daquilo. Abandonam a repressão em apoio aos manifestantes, se dirigem, no sentido do Fórum do Tribunal da Justiça, em direção ao caminhão que abrigava parte da tropa. São aplaudidos. Alguns o cumprimentam.

“Estou lutando por você, véio, manda a sua tropa voltar”, diz um manifestante ao policial. “Essa é a polícia que eu gosto”, diz outro. “Isso é um policial, tem vergonha na cara, é um profissional da segurança pública, não é um lacaio de governo corrupto”, afirma, exaltado, outro. “Safado, comprometido com interesse de empreiteiros”, emenda. “Não se bate em trabalhar, sou professora concursada”, grita uma mulher.

Veja reportagem em vídeo com o momento em que os dois policiais mudam de lado e abandonam a repressão

Revolta

A atitude dos dois policiais é parte da insatisfação do conjunto do funcionalismo estadual com o governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB). A revolta explodiu com o pacote de 22 projetos enviados pelo titular do Palácio Guanabara à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Era ali, no entorno do histórico Palácio Tiradentes, que transcorria o protesto, na quarta-feira (16). Milhares de servidores se concentravam do lado de fora – parte deles policiais civis e militares e bombeiros, mas também servidores da saúde, educação e outros setores. Dentro do Legislativo, com as galerias vazias e todas as suas entradas cercadas por grades e policiais, os deputados iniciavam a discussão dos projetos. Cerca de 500 policiais da Força Nacional, tropa federal de elite, também teriam sido deslocados para o local para impedir que manifestantes entrassem na Assembleia, que havia sido ocupada por três horas na semana anterior.

Por duas vezes, os servidores quase conseguiram ultrapassar as barreiras de ferro e humanas instaladas nas escadarias que dão acesso ao prédio e entrar na Alerj. O ato dos dois policiais do Choque, batalhão que desde junho de 2013 vem atuando sistematicamente na repressão às mobilizações, não parece ser uma atitude isolada, como possa até sugerir. Mais provável, sinaliza o grau de insatisfação das tropas e a dificuldade de mantê-la sob controle. Associado a isso, ganha corpo e força uma unidade de dimensões inéditas no estado de amplos setores do funcionalismo.

É nítido que cresce a compreensão entre os servidores de que o que está em curso são projetos que não visam ‘equilibrar’ as contas públicas, mas desmontar e enterrar o setor público – com desativação de serviços, redução de salários com base no aumento da alíquota previdenciária, suspensão de reajustes e congelamento de recursos, concursos e contratações. 

A associação do ‘pacote’ com a PEC 55 (ex-PEC 241) e o PLP 257, projetos que ‘congelam’ os orçamentos públicos em âmbito nacional, é inevitável. Para muitos, o que o governo e a maioria dos deputados tentam emplacar são propostas que antecipam medidas que serão inevitáveis caso tais projetos, que tramitam no Senado Federal, sejam aprovados e implantados. Não por acaso, o maior ato no estado contra a proposta de emenda constitucional 241 ocorreu na sexta-feira (11) e reuniu, principalmente, servidores federais, estaduais e municipais, além de estudantes.

Pezão e Temer

A reação dos servidores – que demonstra ter amplo apoio popular – coloca os planos do governador peemedebista, mesmo partido do presidente Michel Temer, em xeque. Não há, hoje, quem possa afirmar com segurança que as propostas serão aprovadas. Uma delas, a referente a aumentos na contribuição previdenciária que poderia abocanhar 30% da remuneração dos servidores, já teria sido descartada diante das manifestações. Mas o pacote é ainda bem mais abrangente do que isso.

A repressão não conseguiu pôr fim ao ato. Ao longo de boa parte da tarde, os servidores recuavam para as ruas próximas e retornavam às imediações da Alerj. Ao final da tarde, com as ruas cheirando a gás lacrimogêneo e bosta de cavalos, também usados no policiamento, o clima estava longe de ser de derrota. Um grupo liderado por bombeiros cantava, e faces, mesmo cansadas, demonstravam confiança de que é possível barrar os projetos, cujo adiamento da tramitação chegou a ser falsamente anunciado pelas redes sociais. “Tivemos uma pequena vitória hoje [com o ato], ainda tem que crescer mais e vir mais servidores para as ruas, mas com o crescimento do apoio popular acredito sim que podemos impedir a aprovação do pacote”, disse, à reportagem, o servidor Luís Carlos, da Justiça Estadual, que está em greve.

Nesta quinta-feira (17), entrará em discussão o projeto que aumenta a contribuição previdenciária de 11% para 14%. A prisão por denúncias de corrupção, nesta mesma manhã, do ex-governador Sérgio Cabral, de quem Pezão era vice na gestão anterior, menos de 24 horas após a prisão do também ex-governador Antony Garotinho, é um elemento a mais que pode estimular a reação e a resistência. Seja como for, os servidores estão nas ruas e não dão sinais de que pretendam deixá-las.

 






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