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Geral  

Servidores voltam à Alerj, enfrentam repressão e dizem ‘não’ ao pacote de Pezão e Temer

01/02/2017

Tropa de Choque lança bombas contra os servidores
Foto: Niko

Da Redação do Sindsprev-RJ
Por Hélcio Duarte Filho

São 14h40min no Centro do Rio de Janeiro. Nos arredores da Assembleia Legislativa, não há mais manifestantes. Menos de uma hora atrás, eram milhares – não foram divulgadas estimativas, porém é seguro afirmar que a casa das centenas fora em muito superada. Um jovem que protestava estimou em cinco mil, outro apostou que deveriam ser mais.

Porém agora, quando o relógio se aproxima das 15 horas, as ruas estão vazias. Naquele ponto do movimentado Centro do Rio as lojas fecharam. “Virou uma cidade fantasma”, diz o garçom de um estabelecimento, que persiste e se mantém aberto. O que se vê são algumas fileiras de policiais militares, postados à frente e ao redor da Alerj. Mais acima, ao fim das escadarias do Palácio Tiradentes e a alguns metros da entrada principal da sede do legislativo, posicionam-se os policiais federais da Força de Segurança Nacional. Foram eles que lançaram as primeiras bombas de gás lacrimogênio e de efeito moral sobre os manifestantes.

Foram muitas, atiradas indiscriminadamente, logo assim que um grupo usou cordas para tentar derrubar as grades que cercam o legislativo fluminense. A polícia não ouviu os apelos que vinham do carro de som por paz e cuidado – há crianças no local, alertava, em vão, uma voz feminina.

Os servidores argumentam que manter o acesso ao que alguns chamam de ‘casa do povo’ fechado à população é ilegítimo e ilegal. Há, é inegável, outros motivos de peso para a reação, como os salários atrasados, a falta de perspectiva de pagamento do 13º salário, a ameaça de redução no valor líquido da remuneração com o aumento da alíquota previdenciária, o fim dos concursos públicos e as privatizações – a Cedae, a companhia estatal de água e esgotos, encabeça a lista.

O ar chega a ficar irrespirável. “É revoltante, governinho de meia tigela, tem que cair”, comenta um homem de meia idade, terno escuro, que, de um café, observava o que se passava nas ruas. A cerca de 800 metros dali, um ônibus era incendiado na av. Rio Branco e expelia uma fumaça escura que podia ser vista à distância. Alguns bancos tiveram as suas vidraças quebradas.

Os deputados iniciavam o ano legislativo, na quarta-feira (1º), quando Jorge Picciani acabaria reeleito presidente da casa, com o voto de 64 deputados, inclusive os do PT e do PCdoB, apenas seis parlamentares votaram contra o cacique pemedebista. O deputado reassume o cargo tendo como principal ‘tarefa’ votar o pacote de medidas acordado entre o impopular governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o tampouco querido presidente da República, Michel Temer. O ‘acordo’ em torno da dívida pública estadual com a União, que pode ter consequências profundas sobre toda a população, fora firmado à revelia do funcionalismo e de qualquer consulta popular.

O primeiro ato do ano já com o legislativo funcionando reuniu servidores de diversas áreas – do sistema de segurança, da saúde, da educação, da Justiça. Mas foram os trabalhadores da companhia estatal de água e esgoto os que compareceram em maior número. Ostentavam no peito pequeno adesivo branco em letras pretas que dizia: “Sou contra a privatização da Cedae/O valor da água vai aumentar”.

Passeata

A tarde avança e o cenário ao redor da Assembleia Legislativa começa a mudar. Algumas dezenas de manifestantes retornam às imediações da Alerj. Muita gente não foi embora. Boa parte ainda se encontrava nas proximidades e está voltando. Ao contrário do que costuma ocorrer em situações assim, a debandada dos manifestantes não foi imediata. Os servidores resistem, cobram o direito de protestar e ocupar aquele espaço da cidade. Alguns chegaram a lançar pedras contra os policiais. Muitos tentavam chutar os artefatos de gás de volta para a tropa.

Não se ouvem mais tiros, o ar já se respira. Mas bombas ainda explodem em algumas ruas mais afastadas: a repressão policial continua em outras partes da cidade. Um vendedor ambulante oferece aos gritos água e refrigerante. O ato vai retomar a área que ocupava e ainda haverá uma passeata até a Candelária, na av. Presidente Vargas. Fica evidente que os protestos não vão arrefecer. “Fora, Pezão”, grita um grupo de trabalhadores que acaba de retornar à Alerj. Demonstram, nesta quarta-feira de fevereiro e de dia nublado na capital fluminense, que pretendem resistir e lutar para barrar a aprovação do pacote do ‘ajuste fiscal’ permanente.


Servidores são atingidos pelo gás lacrimogêneo, no Centro do Rio (Foto Niko)






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