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Geral  

Greve de 28 de abril contra as reformas de Temer está entre maiores da história

29/04/2017


Greve Geral foi a maior dos últimos tempos no país, aumentando visibilidade da luta contra as reformas trabalhista e previdenciária
Foto: Fernando França

Da Redação do Sindsprev-RJ
Por Hélcio Duarte Filho

A greve geral contra as reformas previdenciária, trabalhista e a lei das terceirizações transcorrida na sexta-feira (28) está entre as maiores paralisações nacionais de trabalhadores no Brasil da história. Pode até mesmo ter sido a maior já realizada no país.

É o que avaliam ativistas sindicais e políticos com os quais a reportagem conversou e que participaram desta e de outras greves gerais. Entre elas, a de dois dias em 1989, considerada até aqui a maior já ocorrida no país. Nas estimativas das centrais que convocaram o ato, há quem calcule que cerca de 40 milhões de trabalhadores participaram do protesto. A greve aconteceu em todos os estados e no Distrito Federal.

Levantamento divulgado pelo portal de notícias “G1” aponta que houve manifestações em ao menos 254 cidades do país. O “G1” pertence ao sistema Globo, cujo principal programa de notícias televisivo, o Jornal Nacional, na véspera da greve nem sequer mencionou que uma paralisação nacional estava sendo convocada para o dia seguinte.

Números à parte, o que não há sombra de dúvida é que o protesto teve força e se constituiu numa demonstração vigorosa da rejeição dos trabalhadores e da população em geral às reformas que o presidente Michel Temer tenta aprovar, em ritmo acelerado, no Congresso Nacional.

Data histórica

Vinte e oito anos após a greve de 1989, que tinha na recuperação salarial decorrente da hiperinflação um dos pontos centrais de pauta, a mobilização nacional dos trabalhadores em um dia de paralisação de certa forma recoloca o movimento sindical no centro da política nacional.

Os protestos desta sexta tiveram como marca o bloqueio de estradas e vias, a paralisação dos transportes em muitas cidades e uma ampla adesão de setores públicos. Levantamentos divulgados pelos meios de comunicação comerciais apontam que em 18 capitais do país os transportes coletivos pararam. Houve, ainda, expressivas adesões em setores privados da economia e em áreas como portuários e metalúrgicos.

Transportes

Em São Paulo, no maior centro financeiro do país, o cenário na sexta-feira (28) era de lojas fechadas e cidade vazia. Na capital paulista, pararam os rodoviários, os metroviários e os trens. No metrô, apenas a linha amarela, privatizada, funcionou. E foi ela que muitos manifestantes usaram para se dirigir aos protestos, que teriam reunido algumas dezenas de milhares de pessoas.

O trânsito na cidade neste dia pode ser um bom termômetro para avaliar as dimensões da paralisação. “Foi um dia de ruas livres, um trânsito ótimo”, observa Igor, motorista da Uber, que disse ter obtido boas corridas no dia. Em geral, quando os transportes coletivos param, registram-se enormes congestionamentos porque quem pode recorre ao carro para se deslocar até o trabalho. Aparentemente isso não ocorreu na sexta-feira (28).

Atos e repressão policial

Ao longo do dia, mas principalmente ao final da tarde e à noite, milhares de pessoas tomaram as ruas nas capitais e de outras mais de duas centenas de cidades. Em muitos lugares, a repressão policial aos protestos foi violenta.

No Rio, o ato unificado durou poucos minutos por conta da enorme quantidade de bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar contra a multidão. Em Goiânia (GO), um ato denunciado pelos manifestantes como criminoso de um policial militar pôs um estudante da Universidade Federal de Goiás em estado grave no hospital, com risco de vida. O rapaz foi atingido na testa pelo cassetete de um PM. Nas redes sociais, a violência e a repressão aos atos foi repudiada.

Temer minimiza

Apesar das evidências e do reconhecimento até de alguns veículos da mídia comercial nacional e, principalmente, de outros países das dimensões consideráveis do movimento, o governo de Michel Temer tenta minimizá-lo, trabalha com números risíveis e diz que o que houve foi baderna e depredações.

Esse discurso, porém, está mais para propaganda e consumo externo do que para avaliação de fato do que aconteceu. Poucas vezes na história do país se viu agregar tanto apoio à ideia de parar tudo para defender alguma coisa – no caso, projetos que podem eliminar direitos trabalhistas e sociais em dimensões também jamais vistas.

A greve se alastrou, ganhou peso, apoio e envolveu algumas dezenas de milhões de famílias de trabalhadores. A despeito da opção da TV Globo por fingir que nada aconteceria na sexta-feira, o assunto esteve entre os três mais comentados do Twitter no mundo.

Aos movimentos sindicais e sociais parece agora estar posto conseguir articular um calendário que dê continuidade à campanha e que detenha a fúria do governo e de empresários pela aprovação dos projetos. Entra-se num momento decisivo e sabe-se que a unidade dos setores que se opõem às reformas é relativamente tênue, precisa ser cuidada.

Por outro lado, a impopularidade gigantesca das reformas e do presidente da nação estão expostas como nunca. O que talvez explique a opção do principal jornal da rede de televisão comercial aberta por tentar negar a existência dos protestos. A questão é que eles existem, repercutem e entram nas casas das pessoas, mesmo que não sejam televisionados.






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