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Geral  

Manifestantes afirmam que quem votou para livrar Picciani da cadeia apoiou quadrilha

17/11/2017

Ato na Alerj, nesta sexta-feira (17) - Niko

Da Redação do Sindsprev-RJ
Por Hélcio Duarte Filho

Quem votou para livrar os deputados pemedebistas da prisão apoiou a quadrilha que vem assaltando os cofres públicos do Estado do Rio de Janeiro. É o que afirmavam manifestantes que se reuniram em frente à Assembleia Legislativa, durante a tarde desta sexta-feira (17), para defender a manutenção da prisão dos deputados Jorge Picciani, presidente da Alerj, Paulo Melo e Edson Albertassi, líder do governo de Luiz Fernando Pezão no Legislativo, todos do PMDB.

Com a Assembleia Legislativa cercada por meio de grades e policiais, que lançaram bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo sobre os manifestantes, a maioria dos deputados decidiu revogar a decisão unânime do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro (TRF-2). Foram 39 votos a favor da liberdade para os pemedebistas, 19 contrários, uma abstenção e 11 ausências – entre elas os três que estavam presos e afastados do exercício do mandato.

Os três parlamentares estavam presos desde a véspera na Cadeia Pública Frederico Marque, mesmo local onde se encontra o ex-governador do Rio Sérgio Cabral Filho, que completou um ano de detenção nesta sexta (17). O ‘aniversário’ na cadeia foi lembrado por manifestantes da área da saúde com um ato, pela manhã, organizado pelo Sindsprev-RJ na porta do local.

Assim como Cabral, Picciani é suspeito de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As acusações envolvem a máfia dos transportes e empreiteiras. Eles integram a cúpula do PMDB no Estado do Rio e tiveram participação destacada nas políticas que levaram à privatização de serviços públicos no estado, como hospitais, por meio de organizações sociais, o Maracanã e a Cedae.

Parte considerável dos manifestantes que estiveram na Alerj era formada por servidores públicos estaduais, a maioria com salários e o 13º salário atrasados. “A Uerj vive hoje a maior crise da sua história e essa crise é responsabilidade deste governo, que ataca diretamente a população ao atacar a universidade”, disse, do carro de som, o professor Guilherme Mota, presidente da Asduerj (Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro). “Vamos deixar combinado aqui: o deputado que votar a favor de Picciani, Paulo Melo e Albertassi também faz parte da quadrilha”, afirmou o professor, cuja categoria está em greve.

A convocação da sessão teve como referência o recente julgamento do Supremo Tribunal Federal que livrou o senador Aécio Neves (PSDB-MG). A decisão, cujo acórdão ainda não foi publicado, diz que medidas cautelares da Justiça contra deputados federais e senadores previstas no Código de Processo Penal devem ser submetidas à casa legislativa. O próprio TRF-2 determinara que a prisão fosse submetida ao Legislativo, em analogia com o julgamento do STF.

Protesto

Os sindicatos obtiveram na Justiça uma liminar assegurando o acesso às galerias, para que a população pudesse assistir à votação. Embora o presidente da Alerj em exercício, deputado Wagner Montes (PRB), tenha afirmado ter cumprido a decisão, os manifestantes denunciam que as galerias foram ocupadas com funcionários dos gabinetes para inviabilizar a entrada de pessoas favoráveis às prisões. “A verdade é que a decisão judicial foi descumprida e não tivemos acesso às galerias”, afirma a servidora Clara Fonseca, da direção do Sindsprev-RJ (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social no Rio de Janeiro).

Proibidos de entrar na Assembleia Legislativa, eles chegaram a forçar em algum momento as grades, mas não chegaram a em momento alguma a ultrapassar a barreira de ferro montada pela manhã. Mesmo assim, denunciam, a polícia usou de violência, deu tiros de bala de borracha e lançou muitas bombas contra as pessoas que ali estavam. “Não podemos esperar muita coisa, sabemos que nessa casa tem esse conluio muito grande com o Picciani, é maracutaia. Mas seria um dia importante para o povo [acompanhar] e saber o que está se passando nessa votação”, disse o operário Antonio Pedro, desempregado do Comperj e integrante do movimento SOS Emprego, pouco antes dos 39 deputados, três além do mínimo necessário, decidirem pela revogação das prisões.


Servidores da saúde e militantes do Sindsprev-RJ estiveram presentes no ato
Fernando Frazão (Abr)

 


Como votou cada deputado


VOTOS PELA SOLTURA (39)

PMDB (10)  ·    André Lazaroni ·  Átila Nunes ·     Coronel Jairo ·      Daniele Guerreiro ·        Fabio Silva ·      Geraldo Pudim ·     Gustavo Tutuca ·   Marcelo Simão ·     Pedro Augusto  ·      Rosenverg Reis

PDT (5)  ·    Cidinha Campos ·        Janio Mendes ·     Luiz Martins ·  Thiago Pampolha ·     Zaqueu Teixeira

DEM (4) ·           Andre Correa ·     Filipe Soares ·   Marcia Jeovani ·     Milton Rangel

PP (3) ·     Dionisio Lins ·  Jair Bittencourt ·      Zito

Podemos (2) ·                   Chiquinho da Mangueira ·                   Dica

PSD (2) ·  Christino Áureo ·       Iranildo Campos

PR (2) ·  Nivaldo Mulim ·          Renato Cozzolino

Solidariedade (2) ·  Fatinha ·   Tio Carlos

PT (1) ·                   André Ceciliano

PROS (1) ·                   Marco Figueiredo

PSDC (1) ·                   João Peixoto

PSL (1) ·                   Marcio Canella

PT DO B (1) ·                   Marcos Abrahão

PHS (1) ·                   Marcos Muller

PTB (1) ·                   Marcus Vinicius

PSOL (1)    ·                   Paulo Ramos (O parlamentar, que já se encontrava informalmente afastado do PSol, foi expulso pela legenda após votar pela revogação das prisões)

PSDB (1) ·                   Silas Bento (PSDB)


VOTOS PELA PRISÃO (19)

PSOL (4) ·   Eliomar Coelho ·   Flavio Serafini ·       Marcelo Freixo ·    Wanderson Nogueira

PRB (3) · Benedito Alves ·     Carlos Macedo ·   Wagner Montes

PT (3) ·   Gilberto Palmares ·  Waldeck Carneiro ·   Zeidan

PSDB (2) ·     Osorio ·    Luiz Paulo

PSC (2) ·    Bolsonaro ·          Marcio Pacheco

PDT (1) · Martha Rocha (PDT)

REDE (1)  · Dr. Julianelli (Rede)

PCdoB (1) · Enfermeira Rejane (PCdoB)

DEM (1) · Samuel Malafaia (DEM)

SEM PARTIDO (1) ·    Carlos Minc (sem partido)


ABSTENÇÃO (1) ·    Bruno Dauaire (PR)


AUSENTES (11*)  ·  Bebeto (SDD) ·   Comte Bitencourt (PPS - licenciado) ·   Dr. Deodalto (DEM) ·   Geraldo Moreira (PTN) ·   Lucinha (PSDB)   ·  Rafael Picciani (PMDB) ·     Tia Ju (PRB) ·       Zé Luiz Anchite (PP)

  * Inclui os três deputados do PMDB que estavam presos: Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi


Fonte: IMPRENSA SINDSCOPE






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