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Geral  

‘A intervenção assassinou meu filho’, diz mãe de estudante morto na Maré

08/08/2018


Bruna Silva, mãe do estudante Marcus Vinícius, morto na Maré, mostra a camisa do filho suja de sangue, em protesto contra as consequências da intervenção militar na segurança do Rio
Foto: Niko

 

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por Hélcio Duarte Filho

Na manhã do dia 20 de junho de 2018, o estudante Marcus Vinicius, de 14 anos, saiu apressado para a escola, estava atrasado. Pediu a benção da mãe, Bruna Silva, e caminhou em direção à casa de um amigo. Ao chegar lá, perceberam que não daria mais para alcançar a aula a tempo. Resolveram voltar. Pouco antes de regressar à casa, na Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, Marcus Vinicius foi atingido por um tiro de fuzil disparado por um policial civil, que participava de operação policial sob a intervenção das Forças Armadas.

O jovem é mais uma vítima da violência policial e, para além disso, tornou-se a expressão mais forte do que representa a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro. "O meu filho se foi, mas me deixou um legado: não deixa mais o Estado derramar sangue inocente nas comunidades, mãe", disse Bruna, a mãe do menino, durante ato público contra a criminalização das lutas no Rio.

Intervenção militar

Quando a intervenção federal e militar completou cinco meses, no dia 16 de julho, o Observatório da Intervenção da Universidade Cândido Mendes divulgou pesquisa com números que mostram um Rio mais violento: no período, as chacinas aumentaram 80% e as mortes em chacinas (três pessoas mortas ou mais) cresceram 128%. Houve diminuição das apreensões de fuzis, metralhadoras e submetralhadoras (39% a menos entre fevereiro e maio), comparado a 2017.

O levantamento mostra que no período de cinco meses de intervenção, o registro de tiroteios e disparos aumentaram 37%. “O resultado é o aumento daquilo de que a população tem mais medo: bala perdida, fogo cruzado e tiroteio. Até agora, a presença das Forças Armadas não resultou na percepção de que a segurança do Rio melhorou", diz trecho do relatório da pesquisa.

Para o delegado da Polícia Civil Orlando Zaconne, o que ocorre no Rio de Janeiro é um verdadeiro genocídio das populações marginalizadas. Mas, ressalta, isso não pode ser atribuído apenas à ação policial. "Não é somente realizado pela ação policial, a polícia só aperta o gatilho. È política exercida é em todos os setores da estrutura do Estado, pelo Judiciário, pela Promotoria, e o pior, com aplauso, participação e legitimação em setores da sociedade, como a imprensa", disse, durante o ato contra a criminalização e em defesa dos 23 ativistas sociais condenados pela Justiça.

Marielle

Pouco depois do início da intervenção militar, a vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros, junto com o motorista Anderson Gomes. Mais de quatro meses se passaram sem que o crime tenha sido desvendado. “A gente às vezes fica sem esperança sabe, de verdade, por conta de todo o cenário político público que temos. Mas ao mesmo tempo a gente não pode perder as esperanças que algum dia apareça alguma coisa. Não é só pra mim, não só pra família, mas pro mundo, o mundo pede uma resposta”, disse, à reportagem, a professora Anielle Franco, irmão mais velha de Marielle.

Direitos Humanos

Ao falar na Comissão de Direitos HUmanos da Câmara dos Deputados, Bruna criticou a intervenção militar. "Essa intervenção não é boa, essa intervenção que assassinou o meu filho, o estado entrou lá e acabou com a vida do meu filho. Essa é a intervenção que colocou essa mancha aqui, a mancha de sangue do meu filho", disse, expondo a camiseta de escola com manchas de sangue de Marcus Vinicius.






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