Home
|
|
|
|
|

| Saúde Federal | Saúde Estadual | Saúde Municipal | INSS | MPS | Funasa | DRT | PSF ACS ACE | Ações Judiciais | Comunitário | Política | Economia | Cultura | Geral | Galeria de Fotos | Links | Erramos 12/09/2017 06/09/2017 01/09/2017 30/08/2017 30/08/2017
Geral  

Tragédia do Museu reflete imediatismo dos que só pensam no ‘aqui e agora’

05/09/2018


Protesto realizado no Centro do Rio, após o incêndio do Museu Nacional
Foto: Niko

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por André Pelliccione

A completa destruição do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, ocorrida na noite do último dia 2 de setembro, foi sem dúvida a crônica de uma tragédia anunciada, dado o comportamento relapso de sucessivos governos que, ao longo dos últimos anos, contingenciaram e/ou reduziram o quantitativo necessário de verbas para manutenção daquela instituição tão importante para a educação, a cultura e a história (do Brasil e de várias outras formações sociais).

Com 20 milhões de peças, a maioria raras, o Museu Nacional era essencial não somente para a pesquisa em áreas como história, geografia, geologia, biologia, zoologia e antropologia, entre outras, como também se constituía em importante espaço de complemento para atividades de ensino. Quem, entre a maioria dos adultos e até mesmo idosos, não se lembra com emoção das saudosas visitas ao Museu promovidas por escolas públicas e privadas do Rio e de outros estados? São memórias ainda vivas que, com toda certeza, ficarão marcadas para sempre nas mentes e corações dos que, mesmo que uma única vez, puderam um dia desfrutar do variado acervo exposto naquela instituição.

A crônica anunciada da tragédia do último dia 2/9, contudo, deve nos levar a uma profunda reflexão sobre a ideologia e os valores que, no Brasil atual, pautam e referenciam a atuação de gestores e governantes quando o assunto é a preservação de uma instituição como o Museu Nacional. Para essa ideologia — carro-chefe das chamadas políticas neoliberais em voga no Estado brasileiro —, o mais importante é a supervalorização do momento presente, do imediatismo e individualismo que tanto caracterizam algumas das concepções de gestão adotadas mundo afora por grandes corporações capitalistas na busca de novos ‘clientes’ e ‘mercados’. Fórmulas típicas da ideologia ‘pós-moderna’ e fragmentária, expressas em consignas como ‘menos é mais’ e ‘just do it’. Em outras palavras, na ideia de que seria sempre necessário ‘mais ação e menos pensamento’, ‘mais atitude e menos reflexão’.

A existência de instituições como o Museu da Quinta da Boa Vista e vários outros museus, com sua enorme carga de ‘passado’ e ‘história’, é algo que vai exatamente na contramão das concepções imediatistas do pós-modernismo e sua consequente hipervalorização do ‘aqui e agora’. Para essa nefasta ideologia, museus não passam de ‘velhacarias’ que, por isso mesmo, não devem merecer verbas ou atenção do Estado. No máximo, que busquem ‘no mercado’ os recursos para sua sustentação financeira.

É a partir dessas reflexões que devemos criticar a lamentação das ‘autoridades’ — como governo Temer, governo do Estado, prefeitura do Rio, reitoria da UFRJ, Corpo de Bombeiros e Cedae — manifesta imediatamente após o incêndio: foi um exercício de cinismo e ‘jogo de empurra’ sem precedentes dos que, na verdade, nunca consideraram o Museu como digno da mínima atenção. Afinal, para todos eles, ‘menos é mais’ e ‘não há tempo a perder’.

Além da hipocrisia, várias dessas ‘autoridades’ manifestaram profunda ignorância quando prometeram ‘reconstituir o Museu’, algo, como se sabe, impossível, uma vez que os acervos ali presentes se perderam para sempre. Museus, por definição, abrigam peças únicas e raras que, se assim não fosse, jamais estariam em museus. O máximo que se conseguirá, no caso do Museu Nacional, é recuperar parcela ínfima dos acervos queimados e construir no local um novo museu, erigido em outras bases.

Mas isto é ‘perda de tempo’, como acham os governantes. Afinal, para que se preocupar com passado ou futuro, se o presente é agora, não é mesmo? 






     Voltar

Ir para o topo | Envie esta página para um amigo | © SINDSPREV 2007  |  Desenvolvido por Spacetec