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Geral  

Ato lota ABI e repudia ameaças de Bolsonaro e Moro contra o jornalista Glen Greenwald

31/07/2019

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por Olyntho Contente

Palco de grandes lutas contra a ditadura militar e pelo retorno à democracia no Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) teve seu auditório e a rua em frente ao seu prédio-sede, na Rua Araújo Porto Alegre, lotados na noite desta terça-feira (30/7). A manifestação foi em repúdio às ameaças, inclusive de prisão, feitas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, contra o jornalista Glen Greenwald e demais integrantes do site The Intercetp Brasil pelas reportagens baseadas em mensagens vazadas por uma fonte anônima,

Nelas, o ex-juiz Moro aparece orientando os procuradores da Operação Lava-Jato sobre como conduzir as investigações, atitude ilegal, cujo objetivo, alcançado, entre outros, foi o de condenar o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Com isso, impediu-o de se candidatar à eleição para a Presidência.

Estiveram presentes ao ato, além de jornalistas, artistas, entre eles o compositor Chico Buarque de Holanda e o ator Wagner Moura, parlamentares de vários partidos, como Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), Marcelo Freixo e Glauber Braga (PSOL-RJ), dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, de inúmeros sindicatos, centrais sindicais e entidades estudantis.

Para o vice-presidente da ABI, César Benjamin, a tentativa do governo de intimidar, ameaçar e mesmo insinuar que poderia prender o jornalista, alegando ligação entre ele e hackers na invasão do aplicativo Telegram, onde foram trocadas as mensagens citadas nas reportagens, são atitudes contra a liberdade de imprensa e a democracia. “Estamos aqui para dizer que não vivemos numa ditadura e que repudiamos práticas como esta”, afirmou durante o ato.

Já o diretor da OAB Nacional, Paolo Botini, disse que as ameaças foram um ataque do Estado brasileiro ao jornalista do The Intercept e que isso é muito grave. “Este ato de hoje é um repúdio a atitudes autoritárias que não podem continuar a ser executadas no país, sendo um ataque à democracia”, advertiu.

Sociedade tem direito de saber o que Moro fez

Pouco antes da manifestação, Glen, fundador do The Intercept, e o editor do The Intercept Brasil, Leandro Demori, concederam entrevista coletiva. Glen disse que apesar das graves ameaças que ele e sua família vêm sofrendo, não vai parar a série de reportagens sobre o caso. “A sociedade tem o direto de saber o que Sérgio Moro fez nas sombras, às escondidas, usando a Justiça para fins políticos. Cometeu um crime muito grave. Um juiz tem que ser imparcial, mas ele agiu como chefe dos procuradores da Lava-Jato. Nada das reportagens que estamos fazendo tem a ver com ideologia, mas com a defesa da democracia”, acrescentou.

Alertou que se as ameaças de Bolsonaro e Moro a ele e ao Intercept tiverem êxito, atitudes semelhantes vão se repetir com todos os jornalistas que fazem um trabalho sério no país. Frisou que estas atitudes não são nenhuma surpresa. “O presidente continua a agir como fez nos últimos 30 anos, sempre se colocando contra a democracia e defendendo a ditadura. Agora, não quer a imprensa livre. Quer poder prender qualquer pessoa, como se estivesse num regime de exceção. E usa táticas para intimidar. Mas a única coisa que ele vai conseguir com isso é que as nossas reportagens continuem”, adiantou. O jornalista voltou a afirmar que tem um farto material de troca de mensagens ainda sob análise com fatos graves a serem relatados. “Estamos trabalhando dia e noite nisso”, informou.

Mensagens autênticas

Quanto às insinuações de Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol sobre a autenticidade dos diálogos, Glen voltou a explicar que jornalistas de pelo menos oito veículos de comunicação avaliaram as mensagens e comprovaram sua autenticidade, entre eles profissionais de imprensa da revista Veja, do jornal Folha de S. Paulo, do site El País e da BBC de Londres, A respeito da investigação feita pela Polícia Federal por ordem de Moro para encontrar a fonte que repassou as mensagens, lembrou que a Constituição Federal garante aos jornalistas manterem o informante sob sigilo.

“De outo lado, nem Moro, nem Dallagnol, questionaram a autenticidade da troca de mensagens entre eles que noticiamos. Apenas fazem insinuações, tentando confundir as pessoas, criminalizando o vazamento de informações e as matérias, mesmo sabendo que, na maioria das vezes, as informações e provas repassadas aos jornalistas são conseguidas de forma ilegal pelas fontes e se tornam matérias quando se verifica serem importantes para o interesse público e para a democracia, como ocorreu, em vários outros casos, como por exemplo, durante a Guerra do Vietnam e no vazamento feito pelo Edward Snowden sobre a National Security Agency (NSA) dos Estados Unidos, que tinha acesso às informações de todos os usuários da internet no mundo, inclusive ch+efes de Estado”, lembrou.

Disse que o importante nas matérias sobre a relação entre o então juiz Moro e os procuradores federais é que elas comprovam que existe uma facção com muito poder, cuja ação afetou seriamente a democracia.no país. “Isto foi feito pela força-tarefa da Lava-Jato que usou seu poder sem transparência, cometendo seguidas ilegalidades, orientada pelo ex-juiz Sérgio Moro. Isto teve consequências enormes para o Brasil. E tudo feito nas sombras”, afirmou.

Moro comete crimes mas fica no poder

Para Glen é absurda a situação de Sérgio Moro que comprovadamente cometeu crimes como juiz, mas foi mantido no ministério da Justiça, quando deveria ser afastado e investigado. “Mais grave é que ele usa a Polícia Federal para investigar supostos hackers, e ainda, quais seriam nossas fontes, tentando inverter os fatos e nos acusar de ter cometido algum crime, quando o que fizemos foi cumprir o nosso dever de jornalistas informando à sociedade sobre estes fatos graves, repassados por uma fonte anônima”, disse.

Mas para o jornalista a ação da PF pode se virar contra o próprio Moro. “Agora que a PF está falando que pode chegar ao acervo das mensagens, ele se torna lícito, podendo ser levado aos tribunais como prova, o que antes não podia acontecer”, argumentou. Avaliou ser um crime muito sério as declarações de Moro e do procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol de que destruiriam estas provas. “Isso é um crime muito grave. É obstruir a ação da Justiça. Mas nada acontece com eles, que continuam em seus cargos sem serem investigados”, constatou. 






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