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Geral  

31 anos após a morte de Chico Mendes, desmatamento é recorde na Amazônia

19/12/2019

 

Com a preocupação em torno da preservação da Floresta Amazônica, o legado de Chico Mendes é mais que atual e necessário

Da Redação do Sindsprev/RJ
Por Olyntho Contente

Em 22 de dezembro completaram 31 anos do assassinato de Chico Mendes, líder seringueiro e ambientalista conhecido dentro e fora do Brasil por sua luta em defesa da Floresta Amazônica e do meio ambiente do planeta. A militância e as denúncias sobre ameaças de morte feitas por latifundiários em função da sua luta contra o desmatamento não evitaram a sua morte brutal. 

Em 22 de dezembro de 1988, em uma emboscada nos fundos de sua casa, ele foi assassinado por Darly Alves a mando de seu pai, Darcy Alves, fazendeiro e grileiro de terras. Os assassinos de Chico Mendes foram presos e condenados a 19 anos de prisão, graças ao depoimento de Genésio Ferreira da Silva, que tinha 13 anos na época e assistiu a toda a preparação do crime. Filho de seringueiro, Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, interior do Acre, em 1944. Desde pequeno trabalhou na floresta e foi alfabetizado apenas com 19 anos.

Salles ignora quem seja Chico Mendes

“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”, disse Chico Mendes em entrevista à Revista Exame, semanas antes do assassinato. A frase resume a história do maior símbolo brasileiro da luta pela preservação da floresta.

Símbolo desconhecido pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o que confirma o posicionamento do governo Bolsonaro contrário à defesa da maior floresta do mundo. Em entrevista ao programa Roda Viva, Salles afirmou não ter conhecimento do trabalho do ambientalista. “O fato é que é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes nesse momento?”, rebateu o ministro ao ser questionado pelos entrevistadores do programa, que foi ao ar no dia 11 de março último.

Com a preocupação em torno da preservação da Floresta Amazônica, o legado de Chico Mendes é mais que atual e necessário. Em setembro, o desmatamento da Amazônia saltou em setembro em comparação ao ano passado, 93% nos primeiros nove meses do ano na comparação com os nove primeiros meses de 2018, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A destruição da maior floresta tropical do mundo totalizou 7.854 quilômetros quadrados entre janeiro e setembro, de acordo com o Instituto. Isso é 10 vezes a área da cidade de Nova York. Pesquisadores e ambientalistas culpam o presidente Jair Bolsonaro por encorajar os desmatadores ao pedir que a Amazônia seja desenvolvida e ao enfraquecer o Ibama.

"O desmatamento continua num ritmo que é o dobro do que vinha sendo nos anos anteriores. Então acho que isso tem a ver com as mensagens que continuam sendo trocadas pelo Executivo", disse Tasso Azevedo, coordenador da iniciativa de mapeamento do desmatamento MapBiomas.

Uma onda de incêndios em agosto atingiu a Amazônia com a maior taxa desde 2010, provocando protestos globais e deixando líderes mundiais questionando por que o Brasil não estava fazendo mais para proteger a floresta tropical. Os cientistas dizem que os incêndios estão ligados ao desmatamento, com as pessoas limpando a floresta com madeira valiosa e depois incendiando os restos para limpar a terra para a criação de gado ou agricultura

A luta de Chico Mendes

Em 1975, aos 31 anos, Mendes deu início a sua atuação como sindicalista e ativista em defesa da Floresta Amazônica. Até sua morte, em 1988, essa foi sua missão. Criou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC), ajudou a fundar o PT, a CUT e o Conselho Nacional dos Seringueiros, e foi o organizador da União dos Povos da Floresta — aliança entre indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores e populações ribeirinhas contra o desmatamento da região.

A sua militância deixava os fazendeiros incomodados. Uma de suas ações para impedir o avanço de tratores sobre a floresta, por exemplo, era o chamado “empate”, quando famílias inteiras se sentavam de forma organizada próximo das máquinas e em torno das árvores ameaçadas, impedindo o desmate.

Em 1988 é criada no Acre, a União Democrática Ruralista (UDR) reunindo fazendeiros e grileiros de terras. Nesse mesmo ano Chico Mendes participa da criação da primeira reserva extrativista do Acre. Após a desapropriação das terras do fazendeiro Darly Alves da Silva e de receber ameaças de morte por prejudicar o progresso da região, Chico Mendes denuncia o fato às autoridades, pedindo proteção, o que não ocorreu.

Durante o Terceiro Congresso Nacional da CUT, Chico Mendes volta a denunciar as ameaças que vem recebendo. A tese que apresenta - "Defesa do Povo da Floresta" - em nome do sindicato de Xapuri, é aprovada por unanimidade. Chico Mendes é eleito suplente na direção da CUT.

Resistência

No livro Chico Mendes, crime e castigo”, o jornalista Zuenir Ventura, que fez a cobertura do assassinato do sindicalista, descreve que ele desenvolveu táticas pacíficas de resistência para defender a floresta, que a partir da década de 70 sofrera um acelerado processo de desmatamento para dar lugar a grandes pastagens de gado. “Chico lutou contra a devastação e chamou a atenção do mundo para essa luta”, resume Ventura na obra.

Sua luta foi reconhecida internacionalmente. Em 1987, Mendes falou na reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Miami (EUA), denunciando a destruição da floresta. Na época, solicitou a suspensão do financiamento para a construção da BR – 364, que atravessaria o estado de Rondônia e chegaria ao Acre.

Em 1988, ganhou o Global 500, prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU), além da Medalha de Meio Ambiente da Better World Society. Ao mesmo tempo em que era reconhecido internacionalmente, em Xapuri as ameaças de morte aumentavam a cada dia.

As promessas de regularização dos conflitos fundiários não se concretizavam. A ideia de criação de reservas extrativistas se arrastava na burocracia federal”, afirma o site do Memorial Chico Mendes, criado em 1996 pelo Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). A militância não conseguiu salvá-lo. Em 22 de dezembro de 1988, em uma emboscada nos fundos de sua casa, foi assassinado.


*Com informações do CNS, CUT e agências de notícias






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